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Por que aprender a receber feedback é essencial para crescer

  • há 4 dias
  • 7 min de leitura


Receber feedback nem sempre é confortável. Para muitas pessoas, principalmente para quem está no início da carreira, ouvir que algo pode ser melhorado pode soar como crítica, cobrança ou até reprovação. Mas, na prática, o feedback é uma das ferramentas mais importantes para o desenvolvimento profissional.


 

Crescer na carreira não depende apenas de executar tarefas, cumprir prazos ou demonstrar conhecimento técnico. Também envolve aprender com experiências, compreender expectativas, ajustar comportamentos e desenvolver maturidade para lidar com orientações. Nesse processo, saber receber feedback se torna uma habilidade essencial.

 

Mais do que ouvir uma opinião sobre o próprio desempenho, receber feedback é uma oportunidade de entender como suas atitudes, entregas e comportamentos são percebidos no ambiente profissional. Quando bem interpretado, ele ajuda a corrigir rotas, fortalecer competências e construir uma trajetória mais consciente.

 

Feedback não é apenas crítica

 

Um dos principais desafios em relação ao feedback está na forma como ele é entendido. Muitas pessoas associam feedback apenas a apontamentos negativos, como se ele existisse somente para mostrar erros. No entanto, feedback também pode reconhecer avanços, reforçar boas práticas e indicar caminhos para evolução.

 

Na prática, o feedback funciona como uma ponte entre o desempenho atual e o desempenho esperado. Ele mostra onde a pessoa está, o que já está funcionando e quais pontos ainda precisam ser desenvolvidos.

 

Por isso, aprender a receber feedback exige uma mudança de perspectiva. Em vez de enxergar o retorno como um julgamento pessoal, é importante entendê-lo como uma informação útil para o crescimento. O objetivo não é diminuir a pessoa, mas ajudá-la a evoluir com mais clareza.

 

Esse entendimento é especialmente importante para estagiários e jovens profissionais, que ainda estão construindo repertório, postura profissional e segurança no ambiente de trabalho.

 

Por que receber feedback pode ser desconfortável?

 

Mesmo quando o feedback é feito com cuidado, ele pode gerar desconforto. Isso acontece porque muitas vezes interpretamos uma observação sobre o nosso trabalho como uma avaliação sobre quem somos.

 

Quando alguém aponta uma falha em uma entrega, por exemplo, é comum que a primeira reação seja se justificar, se defender ou se sentir inseguro. Esse movimento é natural, mas pode impedir que a pessoa aproveite o feedback da melhor forma.

 

Receber feedback exige inteligência emocional. É preciso ouvir antes de responder, separar o conteúdo da emoção do momento e tentar compreender o que pode ser aprendido com aquela orientação.

 

Isso não significa aceitar tudo de forma passiva. Nem todo feedback será claro, justo ou bem estruturado. Mas desenvolver maturidade para escutar, refletir e filtrar o que faz sentido é uma habilidade valiosa para qualquer profissional.

 

Feedback é uma competência de aprendizagem

 

Estudos sobre aprendizagem e desenvolvimento mostram que o feedback tem um papel importante no desempenho, mas também apontam que ele precisa ser compreendido e usado da forma correta.

 

O conceito de “feedback literacy”, ou alfabetização em feedback, ajuda a explicar essa ideia. Ele se refere à capacidade de entender, interpretar, lidar emocionalmente e agir a partir de um feedback recebido.

 

Ou seja, não basta apenas ouvir o retorno. É preciso saber transformar essa informação em ação.

 

Na prática, isso envolve quatro movimentos importantes: reconhecer o valor do feedback, avaliar o que foi dito, administrar as emoções envolvidas e aplicar mudanças concretas no comportamento ou na entrega.

 

Esse ponto é fundamental: feedback só gera crescimento quando sai do campo da escuta e se transforma em prática.

 

Um estagiário que recebe a orientação de melhorar sua organização, por exemplo, pode apenas se sentir cobrado ou pode transformar esse retorno em atitude: criar uma rotina de prioridades, anotar demandas, confirmar prazos e acompanhar suas entregas com mais atenção.

 

A diferença está na forma como o feedback é recebido e colocado em ação.

 

O papel do feedback no início da carreira

 

No início da trajetória profissional, o feedback tem uma função ainda mais importante. É nessa fase que muitos jovens estão aprendendo não apenas uma função, mas também a dinâmica do ambiente corporativo.

 

Pontualidade, comunicação, postura, responsabilidade, proatividade, organização e abertura ao aprendizado são competências desenvolvidas no dia a dia. E muitas delas só se tornam visíveis para o profissional quando alguém oferece uma orientação clara.

 

Por isso, saber receber feedback pode acelerar o amadurecimento profissional. O jovem passa a entender melhor o que a empresa espera, quais comportamentos são valorizados e quais atitudes precisam ser ajustadas para que ele evolua.

 

Esse ponto também se conecta diretamente à empregabilidade. Uma pesquisa encomendada pelo CIEE ao Instituto Locomotiva apontou que 84% das empresas valorizam mais a abertura ao aprendizado do que o domínio técnico na hora de efetivar estagiários.

 

Esse dado mostra uma mudança importante no mercado: empresas não procuram apenas jovens que já saibam tudo. Elas valorizam profissionais com disposição para aprender, evoluir e se adaptar.

 

E receber feedback com maturidade é uma das formas mais claras de demonstrar essa abertura.

 

Feedback desenvolve soft skills

 

Aprender a receber feedback também contribui para o desenvolvimento de soft skills, cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho.

 

Quando uma pessoa recebe feedback de forma madura, ela exercita escuta ativa, comunicação, autoconhecimento, adaptabilidade e inteligência emocional. Essas competências são essenciais para trabalhar em equipe, lidar com diferentes perfis e crescer em ambientes profissionais dinâmicos.

 

Além disso, o feedback ajuda o profissional a desenvolver uma visão mais realista sobre si mesmo. Muitas vezes, temos uma percepção sobre nossas entregas, mas o ambiente de trabalho oferece outra perspectiva. Ouvir essa visão externa amplia a consciência sobre pontos fortes e pontos de melhoria.

 

Esse processo é importante porque crescimento profissional não acontece apenas pela repetição de tarefas. Ele acontece quando a pessoa consegue observar sua própria evolução, identificar padrões de comportamento e fazer ajustes ao longo do caminho.

 

Em um mercado cada vez mais impactado por tecnologia, inteligência artificial e novas formas de trabalho, as competências humanas ganham ainda mais relevância. Pesquisas recentes com jovens da geração Z e millennials mostram que aprendizado, desenvolvimento e soft skills estão entre as principais preocupações para o futuro do trabalho.

 

Nesse cenário, saber receber feedback se torna uma habilidade estratégica.

 

Nem todo feedback deve ser recebido da mesma forma

 

Embora o feedback seja importante, também é necessário reconhecer que nem todo retorno será útil da mesma maneira.

 

Um feedback construtivo deve ser claro, respeitoso, específico e orientado para melhoria. Comentários vagos, pessoais ou feitos de forma inadequada podem gerar insegurança, confusão e até prejudicar o desempenho.

 

Por isso, receber feedback não significa aceitar qualquer comentário sem reflexão. Significa escutar com abertura, mas também analisar o conteúdo com responsabilidade.

 

Algumas perguntas podem ajudar nesse processo:

 

O que exatamente foi apontado?

 

Existe um exemplo concreto?

 

Esse feedback está relacionado a uma expectativa da função?

 

O que posso fazer de forma diferente daqui para frente?

 

Preciso pedir mais clareza ao gestor?

 

Essas perguntas ajudam a transformar o feedback em aprendizado. Em vez de apenas reagir emocionalmente, o profissional passa a interpretar a orientação de forma mais estratégica.

 

Como transformar feedback em crescimento

 

Receber feedback é apenas o primeiro passo. O crescimento acontece quando a pessoa consegue transformar aquele retorno em mudança prática.

 

Uma forma simples de fazer isso é seguir alguns passos:

 

Primeiro, escute com atenção. Evite interromper ou se justificar imediatamente. Muitas vezes, a resposta impulsiva impede que a mensagem seja compreendida.

 

Depois, peça exemplos. Quanto mais concreto for o feedback, mais fácil será entender o que precisa ser melhorado.

 

Em seguida, organize os pontos principais. Nem sempre é possível mudar tudo de uma vez. Escolher uma ou duas prioridades ajuda a tornar o processo mais realista.

 

Também é importante pedir orientação sobre o próximo passo. Perguntas como “o que você espera que eu faça diferente?” ou “qual seria uma boa forma de melhorar esse ponto?” demonstram interesse e maturidade.

 

Por fim, acompanhe a evolução. Depois de aplicar mudanças, vale retomar a conversa com o gestor ou liderança para entender se houve progresso.

 

Esse movimento mostra comprometimento. Mais do que receber feedback, o profissional demonstra que sabe usá-lo para crescer.

 

Feedback também depende de segurança psicológica

 

Para que o feedback funcione, o ambiente precisa permitir conversas honestas. Quando o profissional sente medo de errar, perguntar ou admitir dificuldades, a tendência é esconder dúvidas e evitar exposição.

 

Esse cenário prejudica o aprendizado. Afinal, ninguém se desenvolve bem em um ambiente onde qualquer falha é tratada como incapacidade.

 

A segurança psicológica, conceito muito discutido em estudos sobre equipes, mostra que pessoas aprendem melhor quando se sentem seguras para assumir riscos interpessoais, como pedir ajuda, fazer perguntas e reconhecer que ainda estão aprendendo.

 

No contexto de estágio, isso é ainda mais relevante. O jovem profissional precisa de espaço para experimentar, receber orientação e melhorar. Quando existe confiança, o feedback deixa de ser visto como ameaça e passa a ser percebido como parte natural do desenvolvimento.

 

O papel das empresas e lideranças na cultura de feedback

 

Aprender a receber feedback é essencial para o crescimento profissional, mas esse processo também depende de um ambiente que favoreça o desenvolvimento. Para muitos estagiários e jovens talentos, o primeiro contato com o mercado de trabalho vem acompanhado de dúvidas, inseguranças e necessidade constante de orientação.

 

Por isso, o papel das empresas e lideranças é fundamental. Quando o feedback é feito de forma clara, frequente e estruturada, ele deixa de ser apenas uma correção pontual e passa a ser uma ferramenta de aprendizagem. O estagiário entende melhor suas responsabilidades, identifica pontos de melhoria e desenvolve mais autonomia ao longo da experiência.

 

No entanto, nem sempre as equipes de RH e os gestores conseguem acompanhar esse processo com a atenção necessária. A rotina operacional, a alta demanda e a falta de ferramentas adequadas podem dificultar o acompanhamento individualizado dos talentos em formação.

 

É nesse cenário que soluções como a RecrutaEasy podem contribuir. Ao apoiar empresas na gestão de programas de estágio e na conexão com talentos, a tecnologia ajuda a tornar o processo mais organizado, estratégico e eficiente. Mais do que contratar, é preciso acompanhar, desenvolver e criar condições para que jovens profissionais cresçam com clareza, orientação e propósito.

 

Assim, construir uma cultura de feedback não é responsabilidade apenas de quem recebe o retorno, mas também das empresas que desejam formar profissionais mais preparados para o futuro.

 
 
 

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